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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Pedro Eurico: o militante dos direitos humanos

Foto Adriano Roberto
Ouça aqui o áudio da entrevista

Ex-secretário de habitação do estado, ex-deputado e militante da advocacia há mais de 35 anos, o ativista da Comissão de Justiça e Paz e direitos humanos, Pedro Eurico, nos recebeu o jornal O Imparcial logo cedo, no escritório dele, localizado no bairro de Casa Amarela. Falou sobre a defesa dos direitos humanos como uma ferramenta que começou na época da ditadura, com a luta contra a tortura e abusos cometidos pelos militares e teve abrangência com a abertura política. Participou da luta pela anistia e atualmente está na luta pela reforma agrária e ocupação urbana. Criticou o bolsa família e disse que as autoridades brasileiras não são justas na concessão de vistos para estrangeiros. Veja na entrevista abaixo ao repórter Adriano Roberto.
J.O.I. – Como o Sr recebe a reação de grande parte da população que taxa advogados de direitos humanos como defensores de bandidos?
P.E. – Recentemente me envolvi em dois casos (polêmicos), o retorno do padre Victor Miracapilo, de quem eu fui advogado em 1980, quando ele foi expulso do Brasil por se pronunciar contra a ditadura e até hoje aguarda visto permanente para voltar atuar em congregação do nosso país. Veja a discrepância do Brasil, você nega um visto a um padre que foi expulso injustamente pela ditadura e concede visto permanente para um terrorista que assassinou várias pessoas na Itália, foi julgado lá num estado de direito democrático, como Cesare Battisti. Esse é o nosso país. Então essas questões têm que ser enfrentadas. O outro caso foi o do flanelinha que foi preso ilegalmente por estar trabalhando no mercado informal. As pessoas em geral têm um preconceito com relação aos direitos humanos, porque eles são a defesa do bandido, eu não defendo bandido, eu luto contra a violência que não tem fronteira social ou econômica. Infelizmente que sofre ainda com as injustiças sociais são os pobres e os de raça negra.
J.O.I. – O Sr acredita que os programas policiais veiculados na mídia contribuem para aumentar o preconceito das pessoas?
P.E. – Sem dúvida! Está previsto no código penal brasileiro que qualquer prática para estimular a violência é crime e esses programas sensacionalistas têm a reprovação da Ordem dos advogados do Brasil, da CNBB e outros órgãos ligados aos direitos humanos, mas os meios de comunicação impõem esses programas para a população numa apologia ao crime que são extremamente danosos. Além disso, eles passam uma visão totalmente deturpada de como diminuir a violência. Na TV e no rádio eles apelam por mais força policial, mais rigor, quando ao mesmo tempo assistimos uma juíza ser morta por policiais dentro do aparelho do estado. Nós temos que lutar é contra o crime organizado e o crime organizado não é praticado pelos populares, ele se enraizou dentro do aparelho do estado do país e passa pelo tráfico de drogas, de mulheres e de armas. Tudo isso tem que ser objeto preferencial do combate a violência, junto com um fortalecimento de programas sociais amplos.
J.O.I. – O Brasil quer defender no exterior a imagem de um país que vem melhorando no respeito aos direitos humanos, mas mostra esse assassinato da juíza no Rio, o Sr diria que o país melhorou neste critério?
P.E. – eu acho que desde a constituinte de 2008 e já vão quase 25 anos, o Brasil deu um salto no que diz respeito aos direitos humanos. A sociedade tem se manifestado de todas as formas em defesa dos direitos básicos da sociedade e as redes sociais na internet vieram a dar um dimensão muito grande as essas manifestações. Veja o crime da homofobia que é um exemplo recente deste comportamento onde a sociedade toma a frente e mobiliza as camadas da população contra esse tipo de violencia. Mas essa questão mesmo não é essencial no país, a questão essencial é o combate a marginalização de grande seguimento das camadas mais pobres da população. Essas camadas são hoje objeto de programas sociais que não vêm respondendo, do ponto de vista recuperação desse seguimento para uma vida mais organizada.
J.O.I. – O Sr acha que o Bolsa Família não causou uma mudança no comportamento das pessoas para que elas melhorassem?
P.E. – O Bolsa Família foi um avanço na medida em que evitou até a morte de milhões de brasileiros e tirou essas pessoas da miséria, mas não teve a contra-partida de um avanço social e não evitou a banalização do modo de viver das pessoas deixando uma crise de valor que ajudada pela mídia trás um ponto de vista errado do “quanto vou ter mais”. Falo isso, da mídia, mas não aceito que haja qualquer tipo de censura aos meios de comunicação, pois a presença da imprensa é essencial na ajuda para lutar pelos direitos humanos.

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