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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Primeiro editorial da revista Continente

Uma revista para Pernambuco

Júbilo e cautela. Talvez não haja duas palavras mais adequadas para definir o que moveu o editor desta revista ao ser convidado a formular o seu projeto. As razões da alegria são óbvias. Porém, concordando com tudo o que escreveu Flaubert a respeito de revistas e vendo a sorte de iniciativas semelhantes, prudência e modéstia prevaleceram. É com este espírito que se inicia esta publicação, animada pela consciência dos seus possíveis alcances e limites.


Quem já se ocupou ou se ocupa de periódico sabe esta verdade singela: mais difícil que editá-lo é mantê-lo viável. Não basta ter uma boa idéia ou saber dividi-la em colunas e povoá-las de boas imagens. O trabalho árduo sustentado em profissionalismo e a constância amparada em bases materiais sólidas são pré-requisitos para que a iniciativa tenha fôlego e perenidade.

Mas não há garantias neste mundo. Tudo é risco e aventura. Até agora, a tradição em Pernambuco tem sido de veículos efêmeros e esporádicos. Desse modo, para que a revista mereça verdadeiramente o nome de periódico ainda há muito por fazer. A disposição para isto e a riqueza da produção cultural no Brasil amenizam a aridez da tarefa e estimulam a já ardorosa vocação dos pernambucanos para desafios.

Há uma passagem de Eça de Queirós (um dos temas desta edição inaugural) que serviria como uma espécie de mote a reflexão madura sobre algumas das coisas e loisas do Brasil:

“No dia em que o Brasil, por um esforço heróico, se decidir a ser brasileiro, a ser do novo mundo, haverá no mundo uma grande nação. Os homens têm inteligência; as mulheres têm beleza – e ambos a mais bela, a melhor das qualidades: a bondade. Ora, uma nação que tem a bondade, a inteligência, a beleza (e café, nessas proporções sublimes), pode contar com um soberbo futuro histórico, desde que se convença que mais vale ser um lavrador original do que um doutor mal traduzido do francês.”

Dentro dessa motivação, edita-se esta revista, um veículo de idéias em movimento. Despudorada, escancaradamente pernambucana. Sem ranços de regionalismos nem cosmopolitismos fáceis. Mas, sobretudo, querendo conhecer-se e expandir-se no que lhe é próprio, sem esquecer-se de privilegiar o novo e o inédito.

Nasce esta publicação altiva e modesta como esta terra que tem entregue ao país, desde a origem, os frutos vivos da sua bondade, inteligência e beleza. Mês a mês, o leitor acompanhará nestas páginas uma seleção de reportagens, ensaios e artigos que refletirão o que se faz e se pensa no continente de Pernambuco e em outras províncias do mundo. (Mário Hélio)

Fonte: Revista Continente


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